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Ato Público: Frente Iyá Nassô reivindica cultura, respeito e dignidade do povo negro

In Comunidade Tradicional de Terreiros on Junho 17, 2014 at 2:00 pm
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REVISTA CONEXÃO AFRO

 

 A ação nomeada ATO PÚBLICO: FRENTE IYÁ NASSÔ, que tem este nome em homenagem à memória etno-religiosa e geográfica do Espaço Cultural da Barroquinha (ECB), vem a público, cobrar a coerência da fala do Senhor Prefeito Antônio Carlos Magalhães Neto, que no último dia 08 de maio de 2014, na reabertura do referido espaço, ressaltou sua importância para a comunidade negra. Isso, inclusive, nos faz questionar a inexplicável exoneração de Ângelo Flavio, gestor daquele espaço naquela ocasião. O ATO PÚBLICO: FRENTE IYÁ NASSÔ, será realizado no dia 09 de junho de 2014, segunda-feira, com concentração às 15h, na Fundação Gregório de Matos (FGM). De lá faz uma caminhada até a Prefeitura Municipal de Salvador, onde entregará um pedido de Audiência Pública com o prefeito, vice-prefeita, Secretaria de Cultura do Município, Secretaria Municipal da Reparação e FGM. O objeto do pedido de audiência é a discussão das Políticas Públicas para o ECB.

ENTENDA O CASO!

Ter Ângelo Flávio à frente do Espaço Cultural Barroquinha representa respeito ao povo negro, que volta, em “grande estilo”, a se responsabilizar pelas demandas de um espaço com importância histórica na sua emancipação cidadã. Aliás, com uma significação que extrapola a simples fala oficial do senhor prefeito que, naquele dia 08 de maio de 2014, reconhecia a legitimidade negra do espaço.  Ângelo Flávio é um experiente ator, diretor, dramaturgo, com talento reconhecido tanto pela critica especializada, por meio de inúmeros prêmios, quanto pelo público em geral, ao comparecer maciçamente aos seus espetáculos. Com certeza tem um histórico que legitima sua posição de gestor do ECB. No entanto, o sintoma de que alguma coisa estava fora da ordem começou a nos inquietar ao percebermos a tentativa de invisibilizá-lo, em dois momentos distintos: na mídia baiana, durante a semana da inauguração, ao não mencionar o idealizador do projeto identitário para o ECB; e, na noite do dia 08 de maio, na reabertura do ECB, quando a fala do então gestor Ângelo Flávio, só foi garantida mediante a inquietação de pessoas presentes no evento. Por sua experiência, por seu comprometimento com a arte, pelo seu pertencimento racial e com a cultura, Ângelo muito bem nos representaria naquele espaço. No entanto, fomos surpreendidos com a sua exoneração, na semana seguinte à reabertura.

Nossa luta pelo Espaço Cultural da Barroquinha é fruto de nossa ligação ancestral com este lugar, onde até 1838 as grandes senhoras negras da liberdade lideraram, a partir da tradição dos Yorubas, a nossa caminhada para a liberdade, através da religiosidade e outras formas de Organização Política, e a partir de 1838 elas levaram todo o conhecimento ali organizado para o Engenho Velho, para fundar a Venerável Casa Branca, casa fundada por Iya Nasso Oká, e todas as mulheres da tradição Nagô organizada na Bahia, irradiando para todo o Brasil, como mostrou o prof. Renato da Silveira, em seu livro “O Candomblé da Barroquinha”, publicado pela EDUFBA. História também retratada na obra monumental de Ana Maria Gonçalves, “Um Defeito de Cor”, que durante o Festival Internacional Abriu de Leituras, se emocionou e escreveu, em sua página no facebook, que estava saindo dali de alma lavada, orgulhosa com tudo que o Abriu de Leituras estava oferecendo ao Brasil.

Pautamos o Espaço Cultural da Barroquinha como o fez o Movimento Negro Brasileiro desde o inicio dos anos 1990 e 2000, quando reivindicou que este fosse denominado Centro Cultural Iya Nassô Oká, em homenagem aquela que nos guiou para a liberdade e protagonizou o ato de movimentar a tradição negra nas Américas, liderando a “Cidade das Mulheres”, como escreveu a etnóloga de Columbia University, Ruth Landes, 100 anos depois do ato de Dona Iya Nassô, em 1938, quando foi guiada pelo Antropólogo Negro Edson Carneiro, para fazer o grande manual de etnografia a partir do seu contato com as herdeiras de dona Iya Nasso, como Mãe Aninha do Ilê Axé Opô Afonjá, Dona Menininha do Gantois, Dona Flaviana Bianc, do Terreiro do Cobre e tantas outras.”

Historicamente conquistamos a nossa fala simbólica e muito lutamos para ver nossas ações concretizadas. Ângelo Flavio muito bem concretiza seus-nossos projetos, como pudemos comprovar, recentemente, com o brilhante “Abriu de Leituras”. Então perguntamos: por que exonerá-lo uma semana após a reabertura do Espaço Cultural Barroquinha?

Axé em nossa luta, o nosso destino é uma felicidade guerreira!!!

FRENTE IYÁ NASSÔ

SERVIÇO

ATO PÚBLICO: FRENTE IYÁ NASSÔ, dia 09 de junho de 2014, segunda-feira, com concentração às 15h, na Fundação Gregório de Matos (FGM)/ Rua Chile.

Uma caminhada seguirá até a Prefeitura Municipal de Salvador / Praça Municipal

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