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Câmara homenageia professora Enir Rocha com o título de Cidadã Benemérita

In ROUXINOL: Coluna de Egbomi Concceição Reis de Ogum on Agosto 9, 2011 at 9:34 pm

N°o1- 9 de Agosto ano 2011 -Guaíba- RS –Brasil

REVISTA CONEXÃO AFRO

9/08/2011 por Da Redação

Professora Enir enfrentou o racismo e foi impedida por décadas de entrar no prédio onde foi homenageada

Por Chico de Assis

Uma mistura de emoção e alegria marcou a Sessão Solene da Câmara Municipal de Araraquara em homenagem à professora de música Enir Saturnino Rocha, neste sábado, 06, no Palacete da Esplanada das Rosas. Conceder o Título de Cidadã Benemérita à primeira mulher Regente da Orquestra Municipal de Araraquara foi o objetivo da proposta de autoria do vereador Edio Lopes (PT).

O evento reuniu familiares, ex-alunos, professores companheiros ao longo da jornada, músicos e o Coral Araraquarense Professor Lysanias de Oliveira Campos, onde participou como cantora lírica e conheceu seu marido e pai de seus dois filhos, Isaias Arsênio da Silva, que era cantor barítono.

Seu pai, Eduardo Saturnino Rocha, era professor de música de vários instrumentos de corda e sopro, além de desenhista e marceneiro da Estrada de Ferro Araraquara. Ensinou música aos quatro filhos. Isaias tocou no cinema mudo regido pelo maestro José Tescari. Construiu instrumentos musicais, inclusive um violino, hoje exposto no Museu de Araraquara, com som similar ao Stradivarius, atestado por Tescari.

Formada em piano no Conservatório Dramático e Musical de Araraquara, Enir Saturnino Rocha enfrenta em São Carlos o primeiro caso de racismo ao tentar fazer o curso de Professora Normalista em um colégio da cidade. Foi impedida por ser negra. Resolve então ir para São Paulo, onde ingressou no Conservatório Orfeônico e lecionou música e canto.

Na capital conhece a professora alemã de canto lírico Lilly Wolf, que se encanta com sua extensão vocal. Enir passa por aulas particulares de canto, além de italiano e inglês, por conta das partituras das obras líricas. Esta professora alemã é responsável pelo primeiro recital de Canto Lírico de uma jovem negra em Araraquara no antigo Teatro Municipal.

Professora Enir abriu mão de uma carreira internacional como cantora lírica, e retornou para Araraquara. Fez parte do coro da Igreja de Santa Cruz e do coral Lysanias de Oliveira Campos. Lecionou música em escolas de Araraquara, Novo Horizonte, Tabatinga e Nova Europa. Tem formação universitária em Educação Artística na Unaerp.

Enir Saturnino Rocha foi pioneira ao introduzir instrumentos musicais nas aulas. A flauta doce era a sensação dos alunos da escola Antônio Lourenço Corrêa. E foi assim nas demais escolas por onde passou, sempre formando um coral ou um grupo de instrumentos musicais. Seus recitais atraiam bom público. Seu timbre de voz era raríssimo para a época, uma Contralto considerada Meso-Soprano.

Chegou a ser Regente da Orquestra Municipal de Araraquara, aliás, a primeira mulher negra a conduzir a orquestra, que ensaiava no antigo Teatro Municipal. E mesmo assim, regente da orquestra da cidade, professora de pessoas que seguiram as mais diversas carreiras em suas vidas, mulher com formação universitária, convidada para ter carreira como cantora lírica no exterior, Enir sofreu com a discriminação racial, sendo impedida até de entrar no Palacete da Esplanada das Rosas, o que conseguiu somente aos 90 anos, no dia da Sessão Solene da Câmara Municipal em sua homenagem.

As falas das pessoas giraram sempre em torno da carreira de professora e orientadora, da capacidade musical e também do enfrentamento das barreiras, carregadas de preconceito, colocadas pela sociedade. Além do vereador Edio Lopes, autor da indicação da homenagem, também se manifestaram a bailarina Renata Crespi, aluna de Enir; Delorges Mano, também aluno, que representou o prefeito Marcelo Barbieri no ato; Ebomi Conceição Reis, coordenadora nacional do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira (Intecab); a socióloga e professora Inayá Bittencourt e Silva, companheira de profissão e autora do livro Racismo Silencioso na Escola Pública; a maestrina Erlene Jensen Dokedal, regente do Coral Araraquarense Professor Lysanias de Oliveira Campos e madrinha de casamento de Enir; e a vereadora Márcia Lia, que presidiu a Sessão Solene. O assessor Benedito dos Santos representou o Deputado Federal Dimas Ramalho.

Fonte  Câmara Municipal de Araraquara

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